Home Data de criação : 08/01/11 Última atualização : 08/03/31 21:31 / 5 Artigos publicados
 

Aos Afro Sambas  escrito em segunda 31 março 2008 21:31

Para começar escrever sobre Baden Powell e Vinícius de Moraes é preciso antes de mais nada pedir licença aos Orixás. Pois esses dois, com toda certeza, tinham uma proteção especial de todos os santos, orixás, energias e mais tudo o que existir na Natureza.

A energia vibrante das notas de Baden, as letras energéticamente exaltantes e intensas de Vinícius e a união exata de dois grandes sofredores deram resultados maravilhosos, no qual aqueles com um espírito mais sensível podem perceber, sentir e sofrer junto.

A admiração de um pelo outro, a grande amizade, os prazeres e os sofrimentos dos dois, curtindo juntos e fazendo música. A cena clássica mostra como eram as reuniões regadas a muito whisky e música. Vinicius brinda aos seus Orixás pela suas inspirações e o Badinho no canto eleva sua alma até eles com seu violão.

O resultado: Os Afro Sambas de Baden e Vinicius.

 

Por Fellipe Abdalla

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No telhado, como pássaros  escrito em segunda 18 fevereiro 2008 06:21

Foi no dia 30 de janeiro de 1969. Os quatro rapazes de Liverpool subiram no telhado do prédio da gravadora Apple e decidiram tocar pra todo mundo ouvir. E conseguiram, nesse dia, o trânsito da avenida onde o prédio esta localizado parou, muitas pessoas correram para chegar perto ou se empuleiraram nas janelas para ver os Beatles tocar.

Dizem que na época dessa gravação, o clima ja estava meio quente entre a galera por causa da intensa presença de Yoko Ono, John ja teria falado da sua vontade de sair fora. Mas no vídeo não da pra ver nenhum clima quente, são Eles, fazendo sua música em cima do telhado, livres como pássaros.

O filme é a última apresentação dos Beatles, com nove músicas tocadas até que a policia interrompesse o show com uma ordem de prisão, caso não parassem. Logo depois John sai mesmo da banda e decidi se dedicar a sua mulher.Os outros três, depois do choque, voltaram a tocar, mas não mais como Beatles.

 

Por Fellipe Abdalla

 

 

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Bebete cai fora!  escrito em sexta 01 fevereiro 2008 06:21

Um ritmo perfeito, o balanço das cordas, a cozinha segurando a onda e o samba no pé! Só mesmo um som assim, de coração, poderia dar em algo tão suave, tão gostoso e aconchegante.

É o swing brasileiro ou sambarock ou balanço, tanto faz, é tudo uma coisa só, São Jorge Ben mandando a sua pegada inconfundível no violão e fazendo a galera pular, dançar, querer namorar e querer pensar. Jorge como tantos Jorges, do Ben, da benção, de como todas as alquimias, astrologias, filosofias e canções de amor.

Jorges como Bebeto, como Simonal, como todos os Originais, os Mocotós, como tantos outros que sentiram, o clima refrescante que o sambarock causa naqueles que sentem esse batuque no pé, na palma da mão, aquele gostinho verde e amarelo   

Nesse video, uma apresentação em 1969 de Jorge Ben com o Trio Mocotó, do Parayba na timbatera, o Fritz na cuíca e o grande Nereu no pandeiro. Um belo exemplo do clima que esse balanço pode proporcionar. Uma formação perfeita, dos instrumentos encaixados e fazendo a levada que merece ser feita

Salve Jorge! Salve o Sambarock!

 

Fellipe Abdalla

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Hermeto e as borboletas!  escrito em sexta 18 janeiro 2008 19:40

Esse alagoano de Olho D´Agua nascido em 1936 veio para esse mundo pra mostrar que música é assim, universal, solta de qualquer estilo ou denominações. Morou em vários lugares do mundo, desde Recife, São Paulo e Estados Unidos onde pode mostrar a música regional brasileira mas numa pegada de um jazz alucinante.

Hermeto Pascoal sempre esteve ligado ao som puro, aquele que se faz com instrumentos que a própria Natureza oferece. Seja um pífaro, feito pelo próprio, a partir do galho de abóbora ou tocando em uma vitória régia no meio do Amazonas. Seus sons são assim, cantos de pássaros, coachar de sapos em um brejo, música com garrafas cheias de água e o corpo humano, todo o corpo musical, todas as partes que saem sons. E nas partes que não saem, o Hermeto tira algum batuque de la.

Esse vídeo postado mostra um exemplo da maneira como Hermeto gostava de fazer a sua música. Dentro de um lago, no Vale da Ribeira, ele tira sons de garrafas e de um pífaro, sua banda, altamente introzada acompanha o mestre na mesma sintonia. O mais sensacional nesse vídeo, são as borboletas atraídas pela sua música e interagem com o grupo. Um exemplo dessa total harmonia, de como o homem é tão pequeno perto da Natureza e como aqueles que com um pouco mais de consciência conseguem se integrar e fazer parte daquilo que os cerca.

Hermeto Pascoal, para alguns um doido, para outros, um gênio!

 

Por Fellipe Abdalla

 

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Um sonho que tivemos!  escrito em sexta 11 janeiro 2008 19:05

Salve Santo Angenor de Oliveira, mais conhecido como São Cartola, acho que todo sambista devia começar suas preces invocando esse patrono dos bêbados e moribundos, dos descalços e descalçados, dos que sofrem por amor, dos que sofrem de solidão.

O poeta das noites boemias, com sua pouca escolaridade e seu coração pulsando sobre suas palavras, dizia e cantava para os que quisessem ouvir, que não tinha medo de mostrar que os homens também podem chorar.

Gente humilde, de um morro como qualquer outro, daquele que tem sua escola de samba como uma das maiores do Rio de Janeiro, a tão famosa Mangueira. A voz do povo na sua forma mais simples e completa, o samba, das mãos de um trovador que na sua vida apenas quis que ouvissem sua voz. Ao mestre Cartola, todos os meus sambas e poesias a ti, que na Lapa pude sentir, o quão vibrante batem suas colunas.

Como ja disse o saudoso Nelson Sargento: "Cartola foi um sonho que tivemos"

 

Sob os arcos da Lapa eu fiz esse poema

Protegido pelas curvas de sua construção senti vontade de escrever

A luz do Sol faz os loucos e moribundos rastejarem através das sombras

A energia cultural transita nesse ambiente e o sol faz esconder o perfume da madrugada

 

Meus olhos atentos não deixam escapar nenhum detalhe

Panfletos de shows passados, crianças desaparecidas, desaparecidos

Estar de frente ao Disco Voador, os bares, butequins e esquinas faz-me sentir um pouco parte de tudo.

 

Antigas construções corroídas pelo lixo ao lado do luxo

O luxo da sua história impregnado nas paredes de tijolo

Posso  nunca mais estar aqui de novo, mas minhas mãos trazem um pouco do cal das paredes úmidas da Lapa.

 

Sentado em seus degraus vermelho mozaico carrego para mim as palavras aqui deixadas: Lapa, Bohemia, Malandragem, Saudade...

 

Por Fellipe Abdalla

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